Mosaico português: história x segurança e acessibilidade

Foto de Sergio Neves - Agência Estado

Saiu no dia 02/07/10 uma matéria no Estadão falando do mosaico português no centro, que constantemente esburacado é alvo de tropeços e quedas. Segundo a Aliança pelo Centro Histórico foram registrados 735 buracos (!) em 4,7 quilômetros de calçadão na região central.

E quem anda por lá, de fato, vê todos os dias equipes recompondo trechos do calçadão. O maior vilão do piso são os veículos que trafegam por ali (carros-forte, carros de polícia, etc.). E consequentemente o mosaico português vira o vilão da acessibilidade.

A acessibilidade não é o tema da reportagem, mas é da vida de todos. Pois acidentes acontecem com todos ali.

Especialistas são a favor de trocar o piso e sugerem que se siga o modelo da Av. Paulista. Mas a população tem afeto pelo mosaico português e em pesquisa a maioria aponta que preferem manter o piso atual.

O mesmo aconteceu com a Av. Paulista. Muitos eram contra a troca, clamavam pela a importância histórica, etc. Mas poucos são o que hoje continuam a manter essa opinião, após percorrer a calçada em concreto pré-moldado da avenida com grande conforto.

É válido lembrar que o piso em si pode apresentar bons resultados se aplicado de maneira criteriosa e com controle de circulação. No Conjunto Nacional de São Paulo, na mesma Av. Paulista, o piso interno é em mosaico português. Observem que o mosaico usado tem tamanho menor que o que se usa normalmente em calçadas. Não há trafego de veículos. E provavelmente houve alguma espécie de nivelamento mecânico para torná-lo mais plano, já que as peças não apresentam desníveis, naturais de uma pedra rústica.

Conjunto Nacional de São Paulo

Saguão do Conjunto Nacional de São Paulo

Detalhe do mosaico português do Conjunto Nacional

Esse controle e aplicação acaba não sendo viável para uma calçada comum; além de em São Paulo não ser permitido para revestir calçadas, exceto em casos especiais. Em frente ao Conjunto Nacional foi mantido o mosaico português, mesmo tendo ele sido trocado pelo concreto em toda avenida, como memória da calçada que existia, continuidade do piso do belíssimo edifício que é o Conjunto Nacional e com o comprometimento deles manterem a qualidade do piso.

  3 comments

  1. maneco   •  

    É interessante levantar esta questão.

    Em Salvador-Ba houve uma grande campanha dos simpatizantes do Mosaico Português para mantê-lo no calçadão do Porto da Barra, apesar do piso estar totalmente deteriorado e dificultar a movimentação de pedestres e de dificultar muito o acesso por pessoas em cadeiras de rodas.

    Na época eu acreditava que seria um “pecado” retirar o piso de mosaico português do calçadão, hj em dia acho que foi o melhor que aconteceu!

    Bela postagem,
    abraço,
    maneco

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  3. nivaldo mortais   •  

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