Acessibilidade em Higienópolis

edificio Bretagne de Artacho Jurado

edifício Bretagne de Artacho Jurado

Passeando pelo bairro de Higienópolis, aqui em São Paulo, fui observando as entradas dos vários edifícios residenciais da região.

Sabe-se que aquele é um dos bairro mais nobres da cidade, e que abriga uma grande quantidade de pessoas idosas. É uma área tradicional da cidade, onde várias famílias de barões de café se instalaram à época de seu loteamento no fim do século 19. E até hoje muitas famílias tradicionais permanecem neste bairro, que traz toda a infra-estrutura necessária para se morar e uma topografia plana, o que é ótimo para quem tem alguma mobilidade reduzida ou deficiência.

Encontramos uma arquitetura notável, com grande quantidade de edificações tombadas ou em processo de tombamento, desde os mais antigos casarões da época do café até edifícios de apartamentos da década de 50 de Rino Levi, Artacho Jurado, Artigas, entre outros.

Agora o que mais vemos em quase todos os edifícios, apesar do bairro ser plano, são as entradas elevadas, com acesso por escadas. Claro que se trata de uma época em que a acessibilidade não fazia parte das preocupações da arquitetura e o que importava era a imponência da edificação. E elevar a entrada causava isso (até hoje muitos arquitetos têm essa mania).

Mas a população do bairro envelheceu e o que aconteceu com essas escadas? Passeando por lá é possível notar que muitas entradas têm alguma rampa para o acesso. Muitas fora das características da norma, mas já se nota que a necessidade bateu a porta e algo se tentou fazer. Aquelas que não tem rampa, nota-se a instalação de corrimão, quase sempre. Talvez não tenha ninguém em cadeira de rodas no edifício, mas algum apoio para as pessoas com mobilidade reduzida se fez necessário.

Ou seja, acessibilidade além de segurança é algo necessário para todos, mais cedo ou mais tarde. Todos nós queremos viver muito, não é? E a população cada vez envelhece mais!

Abaixo alguns exemplos que fotagrafei, de olho no meu estudo de edificações de interesse histórico e acessibilidade.

São dois casarões, que estão ocupados por agências bancárias, que pela legislação do município de São Paulo tem que ser acessíveis (Dec. Municipal 45.122/04). Não são tombados, mas estão em processo de tombamento pelo Condephaat (esfera estadual) e pelo Conpresp (municipal), o que já obriga que qualquer reforma passe pela análise dos órgãos de preservação.

As duas receberam rampas na entrada para garantir o acesso. O que resolve bem a acessibilidade e acredito não ter interferido no patrimônio. Muitos bancos se instalam em casarões antigos e promovem a sua restauração. O que é bom para todos!

Confiram:

Agência Av. Angelica,1212, esquina com Av. Higienópolis

Agência na Av. Angelica,1212, esquina com Av. Higienópolis

Rampa de acesso

Rampa de acesso e a fachada restaurada

Casarão na Av. Higienópolis, 462

Casarão na Av. Higienópolis, 462

Escada com corrimão e rampa de acesso ao casarão

Escada com corrimão e rampa de acesso ao casarão

  2 comments

  1. maneco   •  

    Muito interessante a sua abordagem sobre esta evolução na estrutura arquitetônica! realmente, a tendência é de termos mais idosos com o passar dos anos, já pensou? boa parte da população com a sua mobilidade reduzida? muita coisa vai ter que mudar!

    bjo,
    maneco

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